Carta ao cliente

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01.07.2019 - Carta ao cliente

Ribeirão Preto, 1 de julho de 2019.

Prezado Cliente,

Hoje o real completa um quarto de século. Segundo o IBGE, 46% da população brasileira tem 25 anos ou menos, portanto nem tinham nascido quando o Brasil ainda vivia a era do flagelo inflacionário, caríssimo à população mais pobre, que não tem como se defender deste “imposto” perverso que destrói a capacidade de compra, turva a decisão de investimento, bem como o valor dos bens, serviços e ativos.

A moeda é o contrato mais importante de toda uma sociedade pois, através dela, determina-se o valor de todos os bens, serviços, ativos, realizam-se as trocas, referenciam-se as quantificações (unidade de conta) e, sobretudo, reservam-se os valores. Através dela, tomam-se decisões intertemporais: guardo hoje para consumir ou investir no futuro.

A inflação no Brasil de hoje está sob controle, o regime de metas inflacionárias funciona muito bem. Na semana passada, o Conselho Monetário Nacional, instância máxima das questões ligadas à moeda e ao funcionamento de todo o Sistema Financeiro Nacional, decidiu que a meta para a inflação, medida pelo IPCA de 2022 será de 3,5%, lembrando que a deste ano é 4,25%, no próximo 4% e 3,75% em 2021.

Este legado de viver com uma inflação civilizada é de toda a sociedade brasileira e, quando entendido desta forma, permite que também o custo do dinheiro, a taxa de juros, permaneça mais alinhada com os padrões internacionais. Com estas perspectivas para a inflação, é bastante provável que o Banco Central brasileiro reduza a taxa Selic já na próxima reunião do COPOM no próximo dia 31 deste mês. Deve haver espaço para mais redução ainda neste ano o que, sem dúvida, vai ajudar a recuperar a economia brasileira após a tão esperada, desejada (e atrasadíssima) reforma da previdência, que tende a ser homologada, isto é, virar lei, em outubro.

Por mais que o Congresso Nacional tenha, tardiamente, assumido o protagonismo da criação da nova previdência, seus trâmites são lentos e o próprio Executivo Federal, para dizer o mínimo, não ajudou. Por esta razão, desafortunadamente, a economia brasileira, ou seja, todos nós os brasileiros, perdemos mais um ano. Em 2019, é quase impossível que o PIB per capita seja positivo.

Outro problema que deriva da inoperância política do governo federal é que praticamente todas as principais decisões de Política Econômica ficaram represadas no “dique” da aprovação da nova previdência. Com isto, quase nada anda. Como a questão previdenciária é condição necessária (por viabilizar alguma estabilidade fiscal no longo prazo), mas não suficiente, para recolocar o país em crescimento, espera-se que muita coisa de fato frutifique – concessões, privatizações, abertura da economia, reforma tributária, investimentos em infraestrutura, etc. – ainda neste semestre, para que a economia brasileira possa crescer em 2020.

Tudo está gestado, entretanto, neste primeiro semestre, fez-se muito menos que o necessário para a economia deslanchar.

Resta ainda ressaltar que é pouco provável, mas, se a reforma previdenciária “empacar” ou for amplamente desidratada no plenário da Câmara Federal ou no Senado, a economia brasileira entrará em colapso.

Atenciosamente,

Nelson Rocha Augusto

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