Carta ao cliente

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02.09.2019 - Carta ao cliente

Carta ao cliente

Por meio da Carta ao Cliente, o Banco BRP relata, mensalmente,os fatos mais relevantes ocorridos no Brasil e no mundo no âmbito econômico e político

Ribeirão Preto, 2 de Setembro de 2019.

Prezado Cliente,

Agosto foi um mês no mínimo complexo para os mercados financeiros em todo o mundo.

A volatilidade nos preços dos ativos financeiros e das commodities, que tem sido grande, ampliou muito. As dúvidas, tensões, e pressões prevaleceram. O que denota desconhecimento de até onde vão e, quais serão as consequências para a economia nos mais diversos países ou blocos econômicos com tudo o que está acontecendo.

Aumentou bastante a intensidade do conflito tarifário entre os EUA e a China. O gigante asiático reagiu desvalorizando o câmbio e impondo novas barreiras tarifárias. Os dois países declaram constantemente que um acordo está próximo, no entanto, ninguém sabe efetivamente qual é o teor e quando este acordo virá.

Na Europa, as incertezas relativas ao futuro político dos principais líderes, particularmente na Alemanha, França e Itália, têm ampliado bastante as dúvidas de se será possível contar com algum nível de flexibilização fiscal para ajudar a atividade econômica que perde dinâmica. Lembrando que a taxa de juros de longo prazo na Alemanha já está a algum tempo bastante negativa (dez anos -0,69% ao ano).

O Reino Unido optou por “se jogar” no Brexit com data marcada para o final de outubro próximo, o que poderá trazer consequências severas para a economia de toda a região. Aparentemente, farão um acordo comercial com os EUA, o que pode, sem dúvida, atenuar as consequências econômicas para os súditos da rainha, mas não para os outros países pertencentes à União Europeia.

Nos EUA, a taxa de juros de longo prazo caiu para um nível inferior ao da taxa de curto prazo, o que, historicamente, prenuncia recessão mais adiante. Vale ressaltar que o lado real da economia americana continua apresentando resultados positivos, com aumento moderado da atividade, consumo das famílias, rentabilidade das empresas, nível de emprego e inflação ligeiramente abaixo da meta. O FED reduziu a taxa de juros no último dia de julho e poderá ainda reduzir mais nos próximos meses.

Nossa vizinha ao sul, Argentina, importante parceira comercial do Brasil, mais uma vez, não poderá honrar seus compromissos nas datas previstas, o que provocou um colapso em sua economia, que terá que ser reconstruída pelo novo governo após as eleições.

Seria natural que tudo isto também impactasse na economia brasileira. A sólida posição na estrutura do balanço de pagamentos do Brasil (os estrangeiros investiram diretamente U$ 94,9 bilhões e a balança comercial ficou positiva em U$ 46,3 bilhões nos últimos doze meses, além dos U$ 380 bilhões em reservas internacionais) conjugada com os avanços nas reformas estruturais como a da previdência deveriam servir como antídoto a tudo isto que está ocorrendo no mundo.

No entanto, os fatos foram distintos. Os estrangeiros efetuaram vendas líquidas de R$ 12 bilhões em ações de empresas brasileiras na B3 somente em agosto e mesmo com o Banco Central brasileiro tendo agido, o real perdeu 8,46% do seu valor frente ao dólar, desvalorização menor apenas que o peso argentino.

Certamente, o comportamento truculento, errático, pouco construtivo do governo brasileiro contribuiu para isto.

Foi icônico o padrão adotado pelas autoridades brasileiras nos tristes acontecimentos no bioma amazônico, colocando em risco inclusive o consagrado e competitivo agronegócio brasileiro. A defesa da soberania deve ser feita sempre com diplomacia, técnica, elegância e apenas em último caso, força.

Atenciosamente,

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