Carta ao cliente

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01.10.2019 - Carta ao cliente

Por meio da Carta ao Cliente, o Banco BRP relata, mensalmente,os fatos mais relevantes ocorridos no Brasil e no mundo no âmbito econômico e político

Ribeirão Preto, 1 de Outubro de 2019.

Prezado Cliente,

O fechamento do terceiro trimestre de 2019 corrobora para mais um ano de crescimento pífio da economia brasileira. No geral, os dados divulgados até então mostram uma lenta e gradual retomada da atividade, mas ainda incapaz de reduzir a elevada ociosidade da indústria e do mercado de trabalho. No entanto, estamos mais otimistas para o próximo ano, devido à aceleração da recuperação de alguns setores importantes da economia, ao início da flexibilização da política monetária do BC, ao destravamento das concessões/privatizações e ao avanço das reformas estruturantes que podem ajudar a melhorar o ambiente de negócios no país.

Destacamos o impacto positivo da recuperação do consumo das famílias, puxado pela melhora das condições de crédito e pela recuperação da massa salarial que, junto com a liberação do FGTS/PIS/Pasep, contribuem para a recuperação das vendas de bens que são mais dependentes do crédito e da confiança do consumidor, como por exemplo, eletrodomésticos, automóveis e imóveis. Este cenário vem favorecendo a retomada do setor de serviços, da indústria automotiva e da construção habitacional, atividades caracterizadas pela relevante geração de emprego e de renda.

Apesar dos contratempos políticos, observa-se importante evolução na agenda de Reformas. Além da esperada finalização da Reforma da Previdência, iniciou-se o debate sobre outros temas relevantes como a Reforma Administrativa e a Tributária. A nova rodada de concessões/privatizações deve ajudar a impulsionar a economia por meio do investimento em infraestrutura, principalmente nos setores de energia, óleo e gás, saneamento e logística. Neste último trimestre, esperamos os leilões da Cessão Onerosa do Pré Sal, o que deve arrecadar por volta de R$ 100 bilhões.

Com a recente decisão do Banco Central de reduzir a SELIC para a mínima histórica, em 5,5% ao ano, esperamos manutenção da política monetária estimulativa. A inexistência de pressões inflacionárias internas, baixo nível de atividade, elevada ociosidade da capacidade produtiva e condições externas ainda favoráveis justificam um maior período com juros em patamares baixos.

Apesar de não se comprometer, a ata divulgada pelo COPOM (Comitê de Política Monetária) mostra que ainda há espaço para mais afrouxamento monetário. Pelo terceiro ano consecutivo, a inflação deve encerrar o ano abaixo do centro da meta, o que indica que o ciclo de redução da taxa de juros poderia ter se iniciado antes.

Apesar do recente temor de conflito armado no Oriente Médio e da elevação do risco de desaceleração da atividade nas maiores economia do mundo, o balanço de risco continua favorável ao Brasil, fazendo com que o crescimento da atividade não seja prejudicado por fatores externos. A relação entre os Poderes Legislativo e Executivo precisa ser uniforme e convergente para condução da Agenda de Reformas, aproveitando esta janela de oportunidade para não interromper a frágil recuperação até então apresentada.

Atenciosamente,

                                                   

Walter Mitssuo Haga         Guilherme Elias          Andrew N. de Oliveira

 

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