Carta ao cliente

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02.01.2020 - Carta ao cliente

Ribeirão Preto, 02 de Janeiro de 2019

Prezado cliente,

Na sua última reunião de 2019, o COPOM decidiu reduzir a SELIC mais uma vez em 50 bps, fechando o ano em 4,50%, o menor valor histórico. Sem se valer de artificialismos ou de pressões políticas, isso só foi possível devido ao cenário de inflação controlada (e abaixo do centro da meta), menor risco de descontrole das contas públicas e à elevada capacidade ociosa da economia.

Este novo cenário de juros baixos possui grande importância econômica para o país, posto que os efeitos da redução da taxa SELIC ainda não foram totalmente transmitidos para a economia, e mantidas nesses patamares por um período longo alterará a dinâmica da economia. Neste contexto, cabe ressaltar o aumento do efeito da Política Monetária na economia brasileira, que atualmente sofre muito menos influência do Estado, através dos bancos públicos e de créditos subsidiados.

Os dados mais recentes da economia corroboram que a atividade brasileira começou a ganhar tração, sugerindo perspectivas mais positivas para 2020. O mercado de crédito segue em expansão, impulsionando a recuperação da atividade, redução da ociosidade e do desemprego. Tudo isso aliado ao estímulo adicional da liberação dos recursos do FGTS e do PIS/Pasep, que favoreceu a recuperação do consumo das famílias.

Apesar do andamento das Reformas não trazerem um efeito imediato nos saldos das contas públicas, as perspectivas melhoraram. Este resultado pode ser medido pela queda do Risco Brasil (CDS - Credit Default Swap), ao redor de 100 pontos, os menores níveis desde 2010, e pela sinalização de agências de risco para um possível retorno do Grau de Investimento nos próximos anos. Outro efeito dessa melhor perspectiva é a recuperação do investimento, principalmente, relacionado aos setores de energia, petróleo e da construção civil. Entretanto, observamos com cautela se esta postura responsável e liberal será mantida durante o período eleitoral do ano que vem. 

No cenário externo, após o estímulo monetário, as principais economias do mundo começam a dar sinais de sustentação. A China anuncia medida de apoio à economia com redução de compulsório fortalecendo a liquidez na economia. Nos Estados Unidos, já não existe o temor de uma recessão após os cortes de juros pelo FED, como mostram os seus indicadores de atividade mais recentes e em especialmente os dados sólidos do mercado de trabalho. Cabe ressaltar, que o Presidente Trump sinalizou que assinará a “fase 1” do acordo comercial em janeiro, e se confirmada a trégua desta disputa, resultará também uma melhora em escala global na economia.

Diante deste ambiente, esperamos uma aceleração da expansão do PIB para aproximadamente 2,5% em 2020, mais que o dobro do esperado para 2019, e manutenção das taxas de juros e de inflação em patamares muito baixos para a história brasileira. A sustentabilidade deste ritmo de recuperação depende muito da melhora do ambiente de negócios e do aumento da produtividade e o risco seria a descontinuação da agenda de reforma estruturante.

Atenciosamente,

                                                                                  

Walter M. Haga          Tatiana S. Pontes          Andrew Normanton          Guilherme Elias

 
 
 

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