Carta ao cliente

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03.08.2020 - Carta ao cliente

Ribeirão Preto, 03 de agosto de 2020

Prezado cliente,

Mais de 94 mil brasileiros perderam a vida devido à pandemia da COVID-19. Famílias tristes, destroçadas, em sofrimento, não deveria ser assim, tão superlativo. Sob qualquer ângulo que se olha, é inaceitável a forma como o Governo Federal escolheu para enfrentar a maior dificuldade pela qual atravessa a humanidade na história contemporânea. 

Nossa solidariedade aos que perderam seus entes queridos, aos que lutam contra a doença, nossa homenagem aos profissionais de saúde e gestores responsáveis que, apoiados na ciência, tomaram as decisões no sentido de colocar a vida humana acima de tudo.

O déficit público nominal brasileiro deverá superar a casa dos 800 bilhões de reais apenas neste ano, em razão dos corretos programas que distribuem recursos às famílias, somados às reduções temporárias de impostos e execução de outros gastos.

A maior expansão fiscal já vista na economia brasileira, conjugada com potentes estímulos monetários, impulsionaram a atividade econômica que mostrou grande recuperação em julho.

A base de comparação é baixa, mas tudo indica que, neste terceiro trimestre, a economia brasileira terá um comportamento melhor que o esperado. Todos os indicadores de expectativa nos mais diversos setores, tanto dos empresários quanto dos consumidores, mostraram crescimento substantivo no mês de julho e continuarão nesta direção em agosto.

No cenário internacional, sobretudo nos países mais eficientes no combate à pandemia como China, Coreia do Sul, Japão, Nova Zelândia, boa parte da Europa, liderada pela Alemanha, mas também na França, países do Norte, em menos intensidade na Itália, Espanha, entre outros, os indicadores econômicos mostram acentuada recuperação na parte industrial e também positivo, mas em menor intensidade, nos serviços. Ou seja, o mundo, menos os EUA (que conduziram mal o combate ao vírus) exibe uma recuperação econômica bastante positiva.

A questão para o Brasil é que os estímulos têm prazo de validade curto, a dívida explodiu, as reformas estruturantes, que permitiriam melhorar a eficiência econômica, fazendo a economia “andar com as próprias pernas”, não avançam.

Para piorar, a doença ainda está avançando em várias regiões do Brasil e o dinheiro para eventual prorrogação dos estímulos acabou.

Sem uma demonstração urgente, crível, de como e em qual intensidade, o país voltará à responsabilidade fiscal, haverá dificuldade em financiar a dívida pública, que no final do ano chegará perto de 100% do PIB. O corolário disto tende a ser desequilíbrio macroeconômico com perda de confiança, subida de taxa de juros (em 2021) e aceleração inflacionária. Ninguém merece.

Ainda há tempo de avançar nas reformas estruturantes para a economia brasileira, mas a janela de oportunidades deve fechar em setembro, com o advento das eleições municipais.

Atenciosamente, 

Nelson Rocha Augusto

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