Carta ao cliente

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03.11.2020 - Carta ao cliente

Ribeirão Preto, 03 de Novembro de 2020

Prezado cliente,

Mais uma vez a pandemia da COVID-19 surpreende o mundo econômico. A velocidade, a intensidade da contaminação na Europa e nos EUA, nesta segunda onda, desvenda que a complexidade dos fatos ligados à doença é muito maior. As economias vão sofrer!

As eleições americanas que ainda tem um resultado incerto, aparentemente mais pró Biden, demorarão para serem apuradas e poderão caminhar para a judicialização. Os riscos no gigante do norte não são pequenos e, também isto, pode trazer impactos indigestos para a economia.

O Brasil continua imerso em uma crise de liderança enorme: o Executivo Federal não se entende (cada hora aponta para um lado e o Presidente da República desautoriza cotidianamente ministros e seus líderes no Congresso Nacional); o legislativo “bate cabeça” em uma briga homérica na disputa para as próximas presidências da Câmara e do Senado; o Judiciário, também com discussões patéticas que envolvem até a soltura de criminosos condenados por Ministros da Suprema Corte, além da nomeação surpreendente de novos membros no próprio STF e muito mais.

Do ponto de vista econômico, não poderia haver cenário mais desafiador para o médio prazo.

O País gastou o que tinha para recuperar rápido a economia. O que de fato vêm ocorrendo com grande intensidade e continuará até o final deste ano, impulsionado pelo gigante gasto público, baixa taxa de juros e incremento nas exportações de commodities (particularmente para a China, que continua crescendo).

Nenhuma reforma foi aprovada neste ano e dificilmente será devido ao cenário descrito nos parágrafos anteriores. Com isto, o Brasil pode entrar em uma crise fiscal que destruirá muito do arcabouço institucional duramente erguido ao longo de muitos anos, por toda a sociedade ou terá que mudar tudo que está aí. Para tanto, é imperativo enfrentar a difícil tarefa de fazer as tão debatidas reformas administrativa e tributária sem permitir corrosão nos mecanismos constitucionais existentes de controle das finanças públicas, teto do gasto, regra de ouro e responsabilidade fiscal.

Não há caminho do meio, jeitinho, possibilidade de procrastinar. A dívida pública ruma para 100% do PIB, seu prazo médio encurtou e os credores já exigem mais prêmio para financiá-la. O risco cresce e de maneira rápida.
 
Atenciosamente,

Nelson Rocha Augusto

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