Carta ao cliente

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02.02.2021 - Carta ao cliente

Ribeirão Preto, 02 de Fevereiro de 2021

Prezado cliente,

O equilíbrio macroeconômico brasileiro tem sido testado, forçado, apresenta distorções, mas se mantém e não “desmorona” como já ocorreu no passado.

A inflação subiu, o déficit público foi a inimagináveis 10% do PIB e a dívida pública mobiliária federal rompe a barreira dos cinco trilhões de reais (quase 90% do PIB). Como é sabido, a variável de ajuste é a taxa de câmbio, que subiu vertiginosamente. Isto ocorreu mesmo com um elevado nível de reservas internacionais (aproximadamente U$ 360 bilhões), crescimento no superávit da balança comercial, e, assim, déficit na conta corrente (nas relações com o resto do mundo) bastante baixo.

A questão toda é que, com este quadro macroeconômico “mal ajambrado”, não se cresce ou desenvolve a economia ao longo do tempo. Para isto, as reformas administrativa e tributária precisam ocorrer e, com o quadro político atual, particularmente no Congresso Nacional, é improvável -mas não impossível – que tais reformas sejam votadas.

No entanto, vale dizer que a conjuntura econômica poderá apresentar melhoras expressivas no médio prazo, embora, infelizmente, as mesmas tendem a não serem duradouras.

As melhoras virão, por um lado com o avanço na vacinação. O Brasil mais uma vez demonstra sua enorme capacidade para isto - graças ao SUS e toda a experiência no setor público de saúde, adquirida ao longo de muitos anos – com velocidade bastante satisfatória. É verdade que pode faltar insumo em algum momento, mas o volume de pessoas imunizadas tende a crescer rapidamente e é bastante provável que o quadro epidemiológico melhore muito em poucos meses.

Por outro lado, o ambiente internacional é de recuperação econômica com continuidade de forte expansão fiscal (principalmente nos EUA) conjugado com manutenção longeva de grandes estímulos monetários. Também haverá melhora progressiva no combate ao COVID-19 nos países desenvolvidos.

Há que se destacar que a agenda proposta pelo recém eleito presidente dos EUA, tende a recriar um ambiente multilateral, com reconstrução e reposicionamento da liderança americana nos mais diversos organismos internacionais. Não se espera um arrefecimento da disputa, particularmente com a China, mas a relação histórica com os parceiros europeus muda de nível e pode ajudar a atividade econômica internacional.

Com esta conjuntura, no Brasil, os setores ligados às commodities e à construção civil deverão continuar apresentando crescimento. As concessões e Parcerias Público Privadas tendem a avançar, pois já estão “maduras”, tanto no âmbito estadual quanto federal, e o Congresso Nacional deverá destravar os marcos regulatórios do gás e da navegação de cabotagem.

Mesmo com todas as dificuldades, desentendimentos, desunião e falta de liderança, é possível que o Brasil cresça algo próximo de 4% neste ano, até porque a base de comparação é mais baixa, pois houve queda de quase 4% em 2020. Infelizmente, no próximo ano, os analistas não esperam que haja expansão maior que o insuficiente 2,5% para o PIB brasileiro.

Atenciosamente,

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