Carta Mensal

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02.02.2024 - Carta ao cliente

Ribeirão Preto, 01 de fevereiro de 2024

 

Prezado Cliente,

A economia brasileira passa por um período de raro equilíbrio macroeconômico que tem grandes chances de durar mais um bom tempo.

A inflação caiu e as perspectivas de continuarem em patamares baixos, ao redor das metas estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional, são um consenso entre os analistas, tanto para este ano quanto para 2025. Devido às questões climáticas, tende a haver alguma pressão nos preços agrícolas e também nos serviços recorrentes, mas nada que altere o cenário inflacionário que é benigno.

A estrutura do balanço de pagamentos continua bastante sólida, com enorme superavit na balança comercial (neste ano a exportação de petróleo brasileira será recorde), crescimento do investimento estrangeiro direto que deverá ser da ordem de U$80 bilhões, cobrindo com folga o modesto déficit externo, ainda, lembrando que o Brasil cresceu suas reservas externas para mais de U$350 bilhões, o que indica uma ótima perspectiva para a taxa de câmbio, que deverá, claro, flutuar, mas sem mudar de patamar, ligeiramente abaixo de cinco reais por dólar.

A questão fiscal, sempre bastante complexa para o Brasil, pois as demandas acumuladas pela sociedade são enormes, o Estado é ineficiente e a dívida interna enorme, encontra-se nesta fase, “endereçada”, as autoridades econômicas perseguem a difícil meta de déficit zero e os analistas com larga experiência em contas públicas projetam déficit de meio por cento do PIB. É um ponto de atenção, mas “sob controle”.

O Banco Central promoveu ontem o quinto corte na taxa de juros básica da economia brasileira e, tudo indica que farão ainda mais cinco cortes, ou seja, estamos no meio do ciclo de redução dos juros, lembrando que os efeitos do afrouxamento monetário são cumulativos e agem de forma defasada.

A economia do trabalho tem tido uma performance bastante positiva, não há razão para que isto mude. Assim, a massa salarial, e consequentemente o consumo, continuarão em ascensão.

As empresas, de uma maneira geral também evoluem positivamente. Assim o crédito tanto bancário quanto via mercado de capitais continuará crescendo.

O cenário descrito, traz um “alargamento” no horizonte de tempo para a economia, que cria as condições para um progressivo incremento no investimento que ainda está muito baixo no Brasil.

A economia internacional possui desafios relevantes pela frente, os EUA com déficit interno de quase 6% do PIB, insustentável, a China em processo de mudança do seu mix de impulsão do crescimento e a Europa, atolada em seus problemas históricos, pode reduzir, a depender dos acontecimentos, a performance da economia brasileira, mas não deve mudar a trajetória positiva.

Atenciosamente,

 

 

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