Carta ao cliente

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03.06.2019 - Carta ao cliente

Ribeirão Preto, 3 de junho de 2019.

Prezado Cliente,

A atividade econômica perdeu velocidade ao longo das últimas semanas e as perspectivas para recuperação do investimento, emprego e arrecadação dos impostos mostraram-se mais distantes para o Brasil.

Em economias modernas, a dinâmica das mesmas tem forte influência no comportamento das expectativas dos agentes. No Brasil de hoje a percepção, sentimento das pessoas, é de uma certa perplexidade, quase um desalento, com a condução política do governo federal.

Falta coordenação, priorização, convicção, ordenamento, espírito de equipe, entre outras coisas. O mundo político percebe a “oportunidade” e age instantaneamente para ocupar os espaços.

Em situações como esta, a incerteza cresce, as decisões econômicas de contratar, investir, consumir são necessariamente adiadas e, consequentemente, a economia desacelera ou até freia.

Percebendo o momento difícil para o lado real da economia, a equipe econômica sinaliza que, logo após a aprovação da reforma da previdência, adotará uma série de medidas para avivar a economia (como liberação de parte do FGTS, estímulo ao saque do PIS, etc.), grande avanço nas privatizações e concessões, modernização com melhorias na eficiência da gestão pública, abertura da economia, continuidade na implantação da agenda BC+ (agora denominada #BC), entre outras.

A grande questão é que, embora seja real a possibilidade de o Congresso Nacional aprovar a Nova Previdência até o final de julho, isto está longe de ser trivial e pode se arrastar por muito tempo, sobretudo considerando-se um governo que reconhecidamente “dá canelada”.

Há que se considerar que a previdência reformada de maneira relevante, para que fique sustentável e menos injusta socialmente, “apenas” tirará o Brasil do abismo fiscal, não tendo o poder, sozinha, de recolocar o país na rota do crescimento com desenvolvimento sustentável, embora seja este um passo fundamental.

Será necessária uma ampla renegociação do pacto federativo que reestabeleça, em última instância, o papel do Estado, a elaboração e gestão dos orçamentos, toda a estrutura tributária, além da forma do poder público arrecadar (que terá que passar por um processo simplificador).

Ou seja, o jogo é, como sempre foi, da política. Depois de cinco meses de início do novo governo federal, parece pouco provável haver uma construção política a altura dos desafios capitaneada pelo executivo. O legislativo procura, ao menos em parte, ser protagonista das mudanças (dar ritmo próprio à previdência, propor autonomamente reforma tributária, etc.).

Embora o regime seja presidencialista, agora, por enquanto sem coalizão, é o parlamento quem assume a condução. Tudo um tanto estranho, disfuncional, os partidos políticos também se encontram esfarelados, sem força, precisando ser reconstruídos.

Há muito tempo sabe-se que “O Brasil não é para amadores”.

A boa notícia é que há enorme folga inflacionária, as contas externas estão muito equilibradas, há espaço no médio prazo para reduzir a taxa de juros e a economia brasileira, quando bem conduzida, com a adoção de uma Política Econômica pró crescimento, historicamente reage rápido.

Atenciosamente,

Assinatura Nelson

Nelson Rocha Augusto

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