Ribeirão Preto, 02 de janeiro de 2025
Prezado Cliente,
O lado real da economia brasileira terminou 2024 de forma exuberante.
O Brasil está no maior nível de emprego da história contemporânea, podendo afirmar que atingiu o pleno emprego com mais de 103 milhões pessoas trabalhando. A arrecadação dos impostos, nas três esferas de governo, Municípios, Estados, União, tem batido todos os recordes e, a carga tributária também foi maior. As empresas de uma maneira geral venderam “como nunca”, particularmente as do varejo. A corrente de comércio, exportações mais importações subiram. Os investimentos em máquinas e equipamentos, infraestrutura, construção civil, também foram robustos. O Crédito, tanto via mercado de capitais quanto concedido pelos bancos tiveram ampliação superior a 10% em termos reais. O PIB brasileiro cresceu mais que 3,5%, muito acima do esperado.
Tudo isto melhorou a vida dos brasileiros, no entanto não deverá se repetir agora em 2025, infelizmente. Ao menos na mesma intensidade.
Por pura teimosia do Governo Federal, engalfinhado em um ranço ideológico, houve uma enorme demora no envio ao Congresso Nacional de propostas para redução no gasto público (que é gigante e malfeito) e quando encaminhado, a comunidade econômica instantaneamente percebeu que seria insuficiente. A confiança que já estava em queda, deteriorou-se, o que provocou uma verdadeira “explosão” na taxa de Câmbio -esta, por ser flutuante, é a variável de ajuste da estabilidade macroeconômica no Brasil.
Mesmo com o Banco Central do Brasil já tendo subido fortemente a taxa de juros e vendido mais de U$ 21,5 bilhões apenas em dezembro de 2024 o real ainda perdeu mais 3,45% de seu valor perante o dólar americano somente em dezembro e fechou o ano passando com desvalorização de mais de 27%.
A estrutura a termo da taxa de juros, juros futuros de médio prazo, aquela que de fato é utilizada para definir o preço dos empréstimos, tanto para as empresas quanto para as famílias e até para o governo, subiram no ano de 2024 mais de 63% atingindo a estratosférica marca de 15,89% ao ano.
Esses dados são provas irrefutáveis da deterioração das expectativas e da perda da confiança na estabilidade macroeconômica do país, bem como da contaminação nos preços dos bens, serviços e salários, com aceleração da inflação.
Neste novo ano, a economia brasileira poderá apresentar um resultado modesto, mas satisfatório, caso o Governo mude completamente sua postura e foque, dando enorme prioridade ao controle das despesas com corte nos gastos públicos. Caso contrário, teremos uma economia sem confiança, com tensão inflacionaria, pressão no câmbio, juros ainda mais altos e crescimento medíocre.
Atenciosamente,

03/01/2025