Carta Mensal

Ribeirão Preto, 02 de maio 2025.

Prezado Cliente,

A economia mundial segue navegando em mares revoltos, enfrentando um cenário turbulento, marcado por elevada volatilidade e incerteza, sobretudo em função da ausência de estabilidade e previsibilidade na política comercial dos Estados Unidos. O arcabouço institucional da maior economia do mundo tem sido duramente testado, e sinais de reação por parte da sociedade civil começam a emergir. A condição de excepcionalidade americana vem sendo, em certa medida, corroída — o que também afeta sua capacidade de atrair capital e financiar seu crescimento. Isso não implica, de modo algum, a perda da hegemonia dos EUA, mas o enfraquecimento recente do dólar representa um indicativo relevante da busca internacional por maior diversificação.

Até o momento, os principais impactos se manifestam no campo das expectativas, que sofreram forte deterioração. Os indicadores reais ainda não evidenciam quedas expressivas no emprego, aceleração inflacionária ou perdas substanciais na lucratividade corporativa. Entretanto, o recuo de 0,3% no PIB americano no primeiro trimestre revela que o aproveitamento da janela de importações anterior às tarifas resultou em forte crescimento das compras externas, comprometendo o saldo comercial do país.

Na Europa, observa-se um ambiente econômico mais resiliente do que o inicialmente previsto, o que tem contribuído para a atração de fluxos de capital. A Alemanha, maior economia do velho continente, aprovou medidas que permitem um pouco de déficit fiscal e devem estimular a atividade econômica. 

De forma geral, o continente apresenta uma recuperação gradual, e as incertezas globais têm suavizado as tensões políticas internas, que momentaneamente ficam em segundo plano.

A China, por sua vez, avança em pautas estratégicas tanto no presente quanto no futuro. O país tem se posicionado de forma ativa em temas sensíveis à agenda global — como a transição energética e o avanço tecnológico — enquanto implementa medidas para sustentar o consumo doméstico e fortalecer suas parcerias geopolíticas, sobretudo na Ásia e em países ocidentais. Aproveitando-se da mesma janela de oportunidade no comércio exterior, sua balança comercial superou as expectativas.

No cenário doméstico, diversos vetores apontam para uma trajetória de desaceleração da inflação: a valorização do real, a safra recorde, o elevado grau de restrição da política monetária e um perfil fiscal menos expansionista. Adicionalmente, o aumento da percepção de uma desaceleração mais intensa da economia global tem contribuído para a queda dos preços internacionais do petróleo. Esse movimento, aliado à apreciação cambial, cria espaço para a redução dos preços dos combustíveis.

A atividade econômica interna, por outro lado, tende a perder fôlego a partir de junho, encerradas as datas comemorativas e o pico da colheita — que historicamente elevam a demanda por serviços. A partir desse ponto, os efeitos defasados da política monetária deverão se manifestar com maior intensidade.

Esse ambiente de menor pressão inflacionária pode permitir ao Comitê de Política Monetária (Copom) encerrar o atual ciclo de aperto com um último ajuste no início de maio. A depender da evolução dos dados, o início de um ciclo de afrouxamento monetário pode se tornar viável ainda neste ano.

Atenciosamente,

 

02/05/2025 

 

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