Ribeirão Preto, 06 de março 2025
Prezado Cliente,
O desarranjo institucional que tem sido promovido em alta velocidade pelo governo americano por óbvio, já tem impactado de maneira relevante a economia em todo mundo!
A globalização entra em fase de franca erosão, dificultando o funcionamento das mais diversas cadeias de produção globalizadas. O comércio internacional precisa reavaliar tudo em função das “novas regras” impostas unilateralmente pela principal (e maior) economia do mundo. As expectativas e o funcionamento dos mercados de capitais, de moedas, além dos fluxos financeiros, encontram-se sem norte, deixando seus agentes atônitos e perplexos.
A literatura econômica produzida ao longo de muitos anos pelas mais renomadas universidades, institutos de pesquisa e consagrados economistas, alguns laureados por prêmio Nobel, aponta ser fundamental para o desenvolvimento econômico que o governo central seja previsível, estável e confiável.
Conduzir a economia por decretos nunca trouxe resultados positivos em qualquer lugar do mundo, desta vez não será diferente. Há inequívoca tendência recessiva, com aceleração dos preços dos produtos industriais atingidos pelas tarifas, além da ampliação da ineficiência.
Com este “novo normal” no ambiente econômico internacional, o Brasil, que pouco participa das cadeias globais de produção, por não ser “alvo frontal” das decisões centralizadas, unilaterais do governo americano, tem potencial de ampliar o comércio com os países “desafetos” do Presidente Trump, além de ser um grande e eficiente produtor de commodities, no curto prazo tem se beneficiado da grande turbulência na economia internacional.
O problema é que esta enorme instabilidade tende a piorar toda a economia mundial a médio prazo e, se as questões econômicas internas, principalmente a grande fragilidade fiscal estrutural, não for realmente enfrentada por toda sociedade brasileira, antes do final do ano, muito do que tem sido positivo na economia brasileira como o nível de atividades, emprego, fluxo do comércio externo, crédito, arrecadação de impostos, lucro das empresas, renda das famílias, enfim, o PIB, deve se deteriorar.
É fundamental que o país avance para sair do trilema, fragilidade fiscal estrutural, inflação elevada e taxa de juros escorchantes.
Com a complexidade do que está posto no ambiente global, fazer a “lição de casa” passa a ser mais imperativo do que nunca.
Atenciosamente,

06/03/2025