Carta Mensal

Ribeirão Preto, 01 de dezembro de 2025

Prezado Cliente,

Contrariando as expectativas de alguns meses atrás, mesmo com duas guerras, grandes intervenções na economia americana, conhecidos desafios para a economia chinesa, dificuldades políticas na Europa, e muito mais, a economia mundial surpreendeu neste ano, apresentou um crescimento bastante satisfatório, com elevado nível de emprego, inflação sob controle, queda na taxa de juros, grande valorização nos ativos, principalmente ações e imobiliário.

Do ponto de vista macroeconômico, a principal explicação para a performance na economia mundial reside na continuidade do grande ciclo de expansão fiscal. Praticamente todos os países do mundo continuam apresentando déficits públicos relevantes, com suas respectivas dívidas em seus maiores níveis de todos os tempos. Uma hora a conta vai chegar!

O caso brasileiro não foi diferente. O gasto público, particularmente o social, pagamento dos precatórios, as (super ineficientes) emendas parlamentares, além das despesas vinculadas do orçamento público brasileiro, mantiveram a marcha do crescimento, elevando o déficit nominal, fazendo a dívida bruta do setor público chegar ao perigoso patamar de 80% do PIB.

O emprego manteve-se no nível mais elevado de todos os tempos, o PIB cresceu, o crédito aumentou, a arrecadação de impostos bateu todos os recordes, o comércio internacional cresceu, as empresas se valorizaram, a inflação caiu e, a taxa de juros, nominal (e real) galgou o maior patamar da história contemporânea.

Assim, a economia brasileira, apesar de ter apresentado resultados bastante positivos neste ano, vive um inequívoco desequilíbrio que precisa ser equacionado urgentemente.

Isto só será feito com o avanço nas reformas estruturantes, com o intuito de melhora permanente na eficiência, produtividade, competitividade, equidade (redução significativa de privilégios) e assim por diante, ou seja, promovendo o crescimento com desenvolvimento econômico sustentável.

As transformações necessárias frutificarão (ou não) como resultante do jogo de forças políticas. As eleições do próximo ano, tendem a moldar este processo, mas, até lá, dificilmente haverá qualquer avanço na direção necessária para a economia. Como o tempo é longo, o risco também cresce.

Atenciosamente,

 

01/12/2025 

 

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