Carta Mensal

Ribeirão Preto, 02 de fevereiro de 2026.

Prezado Cliente,

O mundo vive há vários anos um crescimento desproporcional dos ativos financeiros, fruto de elevadíssimo grau de endividamento público e privado, além da valorização no preço das ações.

A grande maioria destes ativos é denominada (ou ao menos tem como referência) em dólares americanos. O dólar é a principal reserva de valor que existe.

Razão pela qual, mesmo nos momentos em que a economia americana não vai bem, ou haja riscos relevantes nos EUA, o dinheiro flui para lá, financia os americanos em um fenômeno que é descrito como a excepcionalidade americana.

Os ativos financeiros globais superaram a casa dos U$ 315 trilhões o que é quase três vezes a somatória do PIB mundial.

Não será fácil, nem rápido, encontrar outra reserva de valor.

O euro, não ocupou este espaço, desde a sua criação, ele tem uma unicidade monetária, mas não fiscal, a economia europeia não é tão dinâmica, inovadora, produtiva, ainda sofre uma guerra complicada e perdeu o apoio americano no custeio de todo seu sistema de defesa.

O Renminbi (moeda do povo) da China tem se esforçado para ocupar este espaço, no entanto, até por preconceito, mas também por viver em um regime fechado e possuir um grande endividamento, embora haja um crescimento nas transações (sobretudo na própria Ásia) nesta moeda, ela ainda não se caracteriza como uma reserva de valor.

O ouro, prata, platina, metais preciosos se caracterizam por serem clássicos neste papel de reservar valor, no entanto, não possuem escala para absorverem parte mais expressiva de todo este montante intrínseco dos ativos financeiros globais.

Com todas as atividades, amplamente conhecidas e divulgadas do governo Trump em seu primeiro ano neste mandato, ainda assim, não houve fuga de ativos dos EUA, apenas e tão somente o fluxo de entrada reduziu bastante devido às dúvidas com alguma erosão na confiança da economia e no adequado funcionamento das instituições americanas.

Provavelmente não saíram recursos porque não há para onde ir, em larga escala e devido a confiança que a sociedade americana conseguirá resgatar sua institucionalidade.

Com tudo isto, os ativos financeiros dos países emergentes tiveram grande valorização e o Brasil, por ter uma economia diversificada, grande, quando comparada aos seus pares, percebeu um salto enorme na precificação do preço das ações, com o Ibovespa subindo 12,56% e o real tendo valorização de 4,39% isto tudo apenas em janeiro.

Atenciosamente,

 

02/02/2026 

 

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