Carta Mensal

Ribeirão Preto, 01 de outubro de 2025.

Prezado Cliente,

O cenário econômico internacional vem apresentando conjunturalmente um comportamento que surpreende pela manutenção de elevados nível de emprego, atividades, lucratividade das empresas, comportamento benigno da inflação e, consequente, afrouxamento monetário.

Com todas as mudanças ocorridas na condução da Política Econômica, particularmente nos EUA, era de se esperar um comportamento mais fraco da economia mundial. Isto não se deu em parte devido à intermitência errática da entrada em vigor das medidas, o que permitiu aos agentes econômicos se “defenderem” das mesmas, minimizando seus efeitos. Ainda, houve uma generalizada perda no valor do dólar americano em relação à praticamente todas as moedas. As commodities, também perceberam quedas em seus preços, o que reduz o custo de produção. Está em curso um aumento na produtividade devido à rápida incorporação no uso da IA.

No entanto, cabe destacar que, praticamente em todo o mundo, os déficits públicos estão em níveis insustentáveis, as dívidas públicas e privadas nunca foram tão grandes, a conta vai chegar!

Em meio a tudo isto, a economia brasileira nos três primeiros trimestres deste ano, apresentou comportamento de relativo destaque que chama a atenção positivamente dos agentes econômicos internacionais.

A inflação caiu, o real se valorizou, emprego continua muito elevado, o comércio internacional se diversificou e continua pujante para os produtos que somos de fato competitivos, a lucratividade das empresas segue elevada, a arrecadação dos impostos também.

Como a taxa de juros no Brasil é exorbitante, tendo atingido este patamar de 15% em junho, houve uma desaceleração da atividade entre julho e agosto e queda mais generalizada em setembro. É provável que agora em outubro esta queda se acentue.

Certamente, a depender dos dados e da velocidade nesta queda, o Banco Central brasileiro poderá decidir por iniciar o ciclo de redução da taxa de juros no Brasil ainda neste ano, provavelmente na reunião do Copom de dezembro.

Claro, esta não é uma decisão simples e nem “contratada”, mas bastante provável e apoiada na boa técnica, não na pressão política.

Os Ministérios da Fazenda e Planejamento poderão perfeitamente exibir, dentro das regras estabelecidas no próprio arcabouço fiscal proposto por eles, uma maior austeridade nos gastos públicos, o que ajudaria muito no trabalho do Banco Central em ancorar as expectativas inflacionarias e iniciar o ciclo de corte na taxa de juros antes que comece o ano eleitoral, 2026, sempre um vale tudo.

Atenciosamente,

 

01/10/2025 

 

Confira mais notícias do Banco BRP

Ver todas as notícias