Ribeirão Preto, 01 de abril 2025.
Prezado Cliente,
No primeiro trimestre deste ano, a economia brasileira apresentou um nível de atividades ainda bastante robusto.
O nível de emprego cresceu, a massa salarial também. As vendas das empresas, nos mais diversos setores, apresentaram, de maneira geral, expansão, mesmo nos segmentos de maior valor agregado como, por exemplo, imóveis e automóveis. Ainda, houve elevação (em termos reais) na arrecadação dos impostos, no crédito, principalmente, mas não apenas, via mercado de capitais – a emissão de debêntures bateu recordes – investimentos ainda seguem em boa trajetória.
O agro, de uma maneira geral ajudado pelo clima, mais tecnologia, eficiência, produtividade e estímulo nos preços, mais uma vez, vem dando um “show” e ainda impulsiona outros setores.
Os serviços, devido à sazonalidade e a inércia do bom crescimento do ano passado, além da correlação com outros setores, mostram força nos transportes, saúde, educação, serviços financeiros, turismo, recreação e entretenimento.
A economia internacional com toda complexidade contemporânea, no curto prazo, promoveu oportunidades que colaboraram com a performance da economia brasileira.
Os números ilustram claramente este comportamento positivo da economia brasileira até então. O dólar frente ao real caiu 7,7%. As empresas tiveram valorização pelo Ibovespa de 8,29%. As taxas de juros futuros para os próximos três anos caíram mais de 7%. A inflação medida por todos os indicadores, embora esteja, sem qualquer dúvida, alta, veio abaixo do que os analistas esperavam nos índices de varejo e principalmente, nos de atacado.
Olhando toda a idiossincrasia do complexo funcionamento da economia brasileira, a menos que haja alguma ruptura relevante – provavelmente vinda das ações e reações do novo governo dos EUA, ou das guerras em curso no mundo – é possível esperar alguma desaceleração nos próximos meses, mas não uma queda abrupta.
A desaceleração será fruto do enorme aperto monetário em curso no Brasil. Desde setembro do ano passado, quando o Comitê de Política Monetária iniciou o ciclo de subida da taxa de juros, trazendo de 10,5% para os 14,25% de hoje. Mais importante ainda (aliás, o que eleva tanto os juros assim) é a situação fiscal brasileira ser estruturalmente frágil, desajustada e os governos optarem politicamente por não enfrentarem esta patologia da nossa economia.
Atenciosamente,

01/04/2025