Carta Mensal

Ribeirão Preto, 01 de setembro de 2025.

Prezado Cliente,

O intervencionismo promovido pelo Presidente Trump nas instituições americanas acelerou o ritmo em agosto. Os exemplos estão nos mais diversos segmentos: comércio exterior, universidades, saúde, imigração, judiciário, imprensa, e agora também atingiu diretamente o FED, Banco Central dos EUA.

A institucionalidade americana parece estar “carcumida” e sendo toda redesenhada. Resta saber, como será a reação da sociedade. Os impactos na economia tendem a ser de aceleração da inflação, redução no nível de atividades, queda no investimento, piora no mercado de trabalho, diminuição do investimento devido ao aumento da incerteza.

Os reflexos disto tudo têm sido inexoráveis em todo o mundo. Praticamente todos os blocos econômicos, países, empresas tentam, a medida do possível, antever os impactos, capturar as oportunidades visando se reposicionar.

O maior problema é que tudo é muito rápido, incerto, muda a toda hora, sendo pouco crível, pois a lógica do processo decisório está centralizada e, não tem apoio na Ciência Econômica.

O Brasil, por ser uma economia muito fechada, ter um grande mercado interno, mesmo sendo alvo do tarifaço imposto pelos EUA, que agora já está em vigor, tende a sofrer de forma limitada.

A conjuntura econômica brasileira continua vivendo um equilíbrio com elevado nível de emprego, crédito, venda das empresas, arrecadação de impostos, (para os padrões brasileiros) crescimento nos investimentos. No entanto, devido à “estratosférica” taxa de juros, tudo isto desacelerou em julho e começou a cair em agosto, devendo ceder ainda mais tanto em setembro quanto outubro.

Vale destacar que, também ajudado por uma forte valorização cambial e queda nos preços de várias commodities, a inflação caiu bastante no Brasil e tende a permanecer “benigna” nos próximos meses.

Assim, apesar da resistência ao corte dos gastos governamentais – uma decisão política intransigente por parte do presidente Lula – haverá espaço para corte na taxa de juros ainda neste ano. Este tende a ser modesto, justamente por causa do tamanho dos gastos públicos. Com isto, a economia brasileira cresce, modestamente, mas não deslancha na direção do almejado desenvolvimento econômico sustentável.

Atenciosamente,

 

01/09/2025 

 

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