Ribeirão Preto, 03 de fevereiro de 2025
Prezado Cliente,
Em janeiro o BC brasileiro realizou mais uma elevação de taxa de juros em 1p.p., para 13,25%, em linha com o comunicado na reunião anterior e com as expectativas dos agentes. O comitê anteviu, adicionalmente, mais um aumento de igual magnitude na próxima reunião, caso se confirme o cenário projetado. Essa previsão colocará a taxa brasileira para além de um patamar já extremamente restritivo, e uma desaceleração econômica mais acentuada é um dos riscos monitorados pelo próprio BC.
A autoridade avalia que o cenário segue marcado pela desancoragem das expectativas, elevação das projeções de inflação, resiliência da atividade e pressões no mercado de trabalho.
Os dados divulgados ao longo do mês mostram que algumas destas preocupações caminham para um distensionamento. Houve fechamento de 535 mil postos de trabalho (pior que a expectativa dos analistas, em 405 mil), enquanto indicadores antecedentes de confiança na economia inflexionaram para baixo. O dólar, que encerrou 2024 em R$ 6,18, apresentou uma importante queda de 5,5%, para R$ 5,83. Nos próximos meses, uma grande safra (possivelmente recorde) deve contribuir para o recuo nos alimentos, ao mesmo tempo em que o país apresenta uma boa situação energética, com reservatórios de hidrelétricas acima de 61% de capacidade, ainda distante do fim das águas.
No campo fiscal, o país encerrou 2024 com um déficit de R$ 43 bilhões (0,36% do PIB), melhor do que a expectativa dos analistas (a mediana previa um déficit de R$ 55 bilhões). Descontados os créditos extraordinários, cerca de R$ 32 bilhões em ajuda ao RS, o resultado foi um déficit de R$ 11 bilhões (ou 0,09% do PIB), dentro do limite estabelecido pelas regras fiscais.
Os resultados mostram que o país passa por um momento de razoável equilíbrio macroeconômico, porém em desconexão com a confiança necessária para a reancoragem das expectativas e um ciclo econômico mais positivo.
Já no início deste mês, o Congresso Nacional elegeu as novas lideranças de suas duas Casas, o que deve abrir espaço para a votação do Orçamento 2025. Nossa expectativa para o ano é de que o governo cumpra, novamente, as regras fiscais. Em se confirmando, deve representar, ao menos, uma não expansão de gastos, contribuindo para uma política fiscal mais em sincronia com a política monetária e para uma menor necessidade na dose de juros.
Atenciosamente,

03/02/2025