Carta Mensal

Ribeirão Preto, 02 de março de 2026.

Prezado Cliente,

Infelizmente fevereiro se despediu com o início de mais uma guerra no mundo, com muitos efeitos, todos sempre ruins, pois não há guerra boa.

Do ponto de vista da economia mundial, como é amplamente conhecido, atravessamos um período com várias camadas de incerteza, desmonte de todo arcabouço institucional que foi edificado no pós-guerra, forte agressão ao multilateralismo, regressão da globalização, questionamento do dólar americano como a principal reserva de valor, políticas fiscais geradoras de grandes déficits fazendo as dívidas públicas frequentarem patamares inéditos e insustentáveis.

Agora, esta guerra no Oriente Médio acrescenta outra relevantíssima camada de incerteza, dentre as várias que já existem.

Tudo isto tem consequências imprevisíveis e, são nocivas para as mais diversas economias ao redor do mundo. Quanto mais tempo durar, mais profunda for, pior.

O Brasil tem uma história pacífica, com atuação pró diplomacia para a resolução de conflitos, deverá manter-se na trilha técnica e consistente forjada pelo Itamarati, o que tende a permitir uma inserção internacional como líder latino-americano relevante, mas comedido, mitigando riscos.

A economia brasileira sempre foi mais fechada e participa de forma tímida das cadeias de produção internacionais. Possui um grande mercado consumidor interno, está em pleno emprego, com inflação em queda, grande nível de reservas, vem recebendo algo próximo de 75 bilhões de dólares em investimento estrangeiro direto e tem superávit na balança comercial da ordem de 80 bilhões de dólares (exporta commodities que tendem a se valorizar no cenário atual).

A safra agrícola deste ano vai se confirmando como a maior de todos os tempos, o que dá impulso ao nível de atividades de toda a economia, principalmente, nesta época do ano. Garante ainda a continuidade do processo de redução da inflação com manutenção da mesma em níveis compatíveis com a meta determinada pelo Conselho Monetário Nacional, de 3% ao ano.

Assim, é improvável que o real sofra uma desvalorização significativa nos próximos meses, mesmo porque, observou uma valorização relevante tanto no ano passado como nos dois primeiros meses deste ano.

Com tudo isto, finalmente, neste mês, o Banco Central deve iniciar um longo ciclo de redução na enorme taxa de juros brasileira.

Atenciosamente,

 

02/03/2026 

 

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